Pandemia pode mudar padrões arquitetônicos

Publicado em 1 de julho de 2020 às 12:50

Com a pandemia do COVID-19, a maioria das pessoas passou a viver mais em casa. O lar se tornou o único espaço para todas as atividades: trabalho, academia, lazer, refeições. Mas poucos deles foram projetados para tal demanda.

E, ainda é preciso achar espaço para o cantinho da higienização. Afinal, uma das principais recomendações de combate ao novo coronavírus é a limpeza de produtos, roupas, sapatos que vêm da rua.

“As questões sanitárias estão sendo meticulosamente revisadas nas residências. Algumas pessoas já tratavam os espaços externo e interno como ambientes distintos, retirando os sapatos antes de entrar em casa, lavando as mãos logo ao chegar da rua, entre outros hábitos. Neste momento, esses hábitos estão sendo incorporados de forma ainda mais acentuada e os espaços domésticos vão sendo adaptados. A tendência é que surjam nas residências espaços pensados especificamente para essa transição do dentro e fora de casa”, acredita Fernando Vidal, diretor do estúdio global de arquitetura Perkins and Will em São Paulo.

O home office virou realidade no susto. As pessoas não estavam preparadas estruturalmente para ele. Tem quem trabalhe na mesa da cozinha ou na cama, mas o ambiente ideal pede privacidade e ergonomia.

“Espaços físicos mais privativos, cadeiras com melhor ergonomia, apoiadores de braços e pés para permitir seguidas horas de trabalho, iluminação adequada e, claro, um background atrativo para as exposições audiovisuais, além da orquídea branca e da estante de livros real ou fake”, aconselha a semioticista Clotilde Perez.

Já o arquiteto e designer Guto Requena defende um novo formato de arquitetura, construindo a casa a partir de outros aspectos. “Já venho defendendo a ideia de que não devemos desenhar cômodos da casa, como quartos, sala ou cozinha. Acredito que faz mais sentido desenhar as atividades da casa, como trabalhar, comer, dormir, se divertir… Pensar a casa a partir das atividades, mais do que nunca, será revisto pelos arquitetos. Por exemplo, trabalhar pode ser feito em diferentes ambientes, como varanda ou quarto. Então, teremos mais flexibilidade, como painéis que deslizam, móveis com rodízio, iluminação flexível”, acredita.

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