Zeca Pagodinho abre cobertura duplex no Rio

Publicado em 21 de novembro de 2019 às 10:09

A reportagem recebe boas-vindas de Angel, um lulu-da-pomerânia, xodó da família de Zeca Pagodinho, ao chegar na cobertura duplex de 542 m² em um terreno de 500m² do cantor no bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Zeca estava na sala de estar assistindo ao seriado Chaves. “Também gosto da Escolinha do Professor Raimundo, da Turma do Didi, Os Trapalhões e das novelas da tarde, como O Cravo e a Rosa e Escrava Isaura. Essas novelas de agora não vejo. Não tem nada bom. Só ensina troço ruim”, afirma ele, vestido com uma camisa regata. A pedido da mulher, Mônica, o cantor substitui a peça por um modelo mais “engomadinho” para a ocasião. Sorridente, é ela quem reúne os netos, Noah, 9 anos, e Catarina, 5, filhos de Eliza, 27, e Eduardo, 32, respectivamente, para fazer pose ao lado do músico. “Quando eles somem daqui fico mordido. Por mim, moraria todo mundo aqui”.

Zeca e Mônica mudaram para o imóvel há 14 anos e, com a ajuda de um decorador, montaram o espaço, que tem quatro quartos, refletindo a personalidade da família, em cores claras e vários tons de azul. A área externa da cobertura segue a mesma paleta de cores, e a piscina tem estátuas de golfinho. Na varanda, uma escultura de São Jorge, de quem Zeca é devoto, tem lugar de destaque. Religioso, o cantor tem ainda um altar no mesmo ambiente da TV, onde também fica uma estante cheia de discos de vinil. É  ali que ele pega as agendas dos anos anteriores e, nas páginas não usadas, escreve suas composições.

Nos últimos tempos, Zeca produziu menos porque quase não teve parceiros. “Nós ficamos órfãos de artistas. Compor para gravar com quem? Para tocar aonde? Dificilmente você ouve música boa em rádio. O mundo ficou muito chato”, diz ele, que em seu 24º álbum, Mais Feliz, decidiu colocar duas canções que fez com amigos: Enquanto Deus me Proteja, com Moacyr Luz, e Nuvens Brancas de Paz, com Arlindo Cruz – a música foi feita na última vez que ele e Arlindo se encontraram. “Tenho fé que ele vai voltar”, torce, em referência à recuperação do AVC que o cantor teve em 2017.

Nessa altura da conversa, parte da família já está no segundo andar da cobertura. O espaço tem um bar com torneira de chope e uma vista de tirar o fôlego do mar. A filha caçula do casal, Maria Eduarda, de 15 anos, também aparece para a sessão de fotos.  É ela que acompanha o pai nps programas no bairro – que são poucas, diga-se de passagem.

O cantor reclama que não consegue ter uma “vida normal” na Barra da Tijuca. “Faz falta a minha liberdade. Onde posso ir agora? A lugar algum. Só vou à gravadora, no BarraShopping, e já vou direto para o salão fazer as unhas. Tiro uma fotinho ou outra, mas não dá. Depois que inventaram esse negócio de celular com foto é um inferno. As pessoas perderam a noção das coisas. Fui no enterro do [músico] Paulinho Galeto e um cara queria que eu fosse na capela ao lado tirar uma foto com o defunto dele. Perdi a paciência com isso. E quando me pedem para cantar Devagar, Devagarinho? É para pedir para o Martinho [da Vila]”, protesta.

É por isso que Xerém, bairro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, sempre será o seu reduto. É lá que Zeca consegue tomar cerveja no boteco, conversar sem ser assediado  e se sente realmente à vontade. “Lá vou à feira e, quando vem alguém tirar uma foto, não é de lá. Vou ao botequim, sento na praça”, enumera ele, que mantém uma casa na região – o quintal é palco para a escolha de seus repertórios, em reuniões com os amigos, músicos ou não.

“Vai todo mundo para lá e quando a música pega fogo na roda vejo que o termômetro (das canções) está ali”, explica o cantor, que faz questão de ver toda a família reunida no espaço, exceto em dezembro por causa do calor. “Lá o diabo usa leque, mas ligo todos os dias para saber como estão as coisas, como estão os bichos”, brinca Zeca, que mantém em Xerém o Instituto Zeca Pagodinho. Escola de capacitação artística e cultural, por meio da música sinfônica, artes e integradas e cidadania, o local atende 255 crianças e é administrada por seu filho Louiz, 30.

VIDA X MORTE
Aos 60 anos, completados em fevereiro, Zeca quer curtir cada vez mais a vida. E resmunga quando descobre que sua agenda de compromissos continua tão intensa quanto no começo da carreira. “Estou cansado de fazer show, de viajar, é muito chato. Eles (assessoria e empresário) não me deixam (diminuir o ritmo de trabalho). Vou com aquele humor”, entrega, confessando ser mais profissional atualmente que no passado.

“Melhorei bastante. Antigamente esquecia a hora, dormia fora de hora, quando dormia”, assume. Hoje, o músico está mais regrado. “Tenho que curtir meu neto, minha neta, minha filha que tem 15 anos”, pondera o cantor, que não faz exercícios físicos, gosta de comer arroz, feijão e ovo, e tem tomado algumas garrafas de vinho, além da cerveja – a torneira de chope de casa ele nunca usou.

O medo de morrer Zeca não esconde. “Pô, quem que não fica? Comigo aqui eles (os filhos) já não andam direito, quando não estiver, então… Vai ver a merda. Mas não tenho medo, não. Tenho pena, cara, de largar esse mundão aqui”, confessa. O desejo de aproveitar cada momento é tão grande que o músico dorme pouquíssimo.

“Tomo um vinhozinho essa hora (por volta das 18h). Quando dá 20h já durmo. Acordo às 2h, fico pensando na vida até 4h, 5h, 6h… Aí a Mônica levanta para colocar a Duda para a escola. Durmo mais um pouquinho até 8h30, 9h, e vou para a rua”, conta.

CASAMENTO
Zeca Pagodinho é casado com Mônica há 33 anos e garante que segue apaixonado como se fosse a primeira vez. “Se não estivesse já tinha separado, pô. Todo ano tem festa de casamento. É 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição”, conta, sentado em um dos móveis de vime em sua sala.

O que deixa o cantor sem jeito é falar da intimidade do casal, mas ele diz que os dois namoram como nos tempos da juventude. “A mesma coisa que era antes. Isso não é pergunta para se fazer, não. Minha filha vai ler isso amanhã”, avisa Zeca, que tem fotos da família e dos amigos espalhadas pela casa.

A parceria entre os dois também faz com que compartilhem momentos religiosos. “Vou à igreja com a Mônica… Fala em Deus, eu vou. Vou ao meu terreiro, faço a minha obrigação”, explica Zeca, que reserva um momento de oração todos os dias às 18h – ele escuta rezas pelo rádio. Normalmente a mulher está junto. Apesar da ligação intensa entre os dois, a relação não tem “mi-mi-mi” – o cantor não gosta de ser paparicado pela mulher. “Ele come o que quer, põe a roupa que quer. Vai para a cozinha e faz a comida dele quando quer. Mistura tudo e come”, comenta Mônica, 51, rindo.

VIDA FORA DO PAÍS
Revoltado com a situação caótica do Rio de Janeiro, Zeca pediu para o compositor Serginho Meriti denunciar o caos da cidade em letra. E assim nasceu a canção Na Cara da Sociedade para o novo disco. “Todo dia é tiroteio no Rio de Janeiro. Quis uma música pedindo paz”, conta. “Todo mundo querendo ir embora, todo mundo querendo sair do país. E ninguém faz nada. As escolas não funcionam, os hospitais não funcionam”, desabafa ele, que em dezembro se apresenta em Portugal, depois de alguns shows pelo país.

Zeca já cogitou deixar o Brasil, com medo pela segurança da família. “Tenho vontade, mas não consigo esquecer Xerém, o quiosque daqui de frente… Sem Xerém não existo. Começa a panela ferver e a hora que ela apaga aí você entende o que estou falando”, diz, explicando como começam e terminam os saraus na Baixada e o aperto no coração quando a casa fica vazia.

A falta de segurança faz com que o músico não suba mais os morros do Rio. “Não vou mais. Morro não tem nem mais tendinha para tomar uma cachaça, comer uma linguiça, cantar um samba e não tem mais macumba boa para ir. Se eu for, vai vir todo mundo falar comigo, vai sair uma foto minha com um cara com metralhadora. Vão dizer que estava com uma metralhadora, vou fazer o quê?”, indaga ele, que tem uma rotina regrada.

“Vivo o meu mundo aqui com os meus netos, vou à gravadora todo o dia, ao shopping; a Mônica diz que faço uma unha por dia. Na volta passo no meu bar, depois passo em outro shopping e 18h estou em casa”, explica.

 

 

Fonte: Quem

 

 

 

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